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Audiência discute combate à 'LGBT fobia'

28/11/2017


Participantes da audiência dizem não à homofobia

Considerada um marco na história do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) de Nova Iguaçu, aconteceu ontem (27), na Câmara Municipal, a 1ª audiência pública para discutir as demandas da comunidade homossexual e apontar uma agenda positiva de combate à homofobia. A Comissão de Constituição, Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, na pessoa do seu vice-presidente, vereador Marcelo Lajes, conduziu o debate, em conjunto com o Grupo Ellos. A iniciativa traduz o pensamento da atual gestão do Poder Legislativo em dar apoio e apresentar propostas de políticas públicas para todos os segmentos representativos da sociedade iguaçuana.



Segundo Eugênio Ibiapino, fundador do movimento LGBT na Baixada Fluminense, a comunidade já representa mais de 15% da população brasileira. "Pagamos nossos impostos, somos cidadãos. Mesmo assim, continuamos sendo vítimas de assassinatos por conta de nossa orientação sexual. A Anistia Internacional chama de 'crimes de ódios'. Já passou da hora de mudarmos este quadro", explicou o ativista.



Presente à audiência, a secretária da Secretaria Municipal de Assistência Social, Elaine Medeiros, afirmou que a pasta está aberta para discutir as necessidades do movimento. "Criamos a Diretoria de Direitos Humanos, presidida por Dayse Marcelos, que irá estar perto de todos os grupos que sofrem preconceito na cidade. Vamos agir para eliminar qualquer tipo de discriminação entre nossa população".



Aos 19 anos, João Victor Mathé, estudante de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), militante LGBT, defendeu uma ação permanente contra a homofobia. "Eu não nasci no corpo errado. Eu nasci no mundo errado. Mas existo e resisto a isso tudo. A 'LGBT fobia' mata psicologicamente e é responsável pelo alto número de suicídios entre os homossexuais. Precisamos agir, mas não somente quando alguma agressão acontece comigo ou com alguém que eu conheço. É preciso reagir sempre", defendeu.



Catia Cilene, presidente do Grupo Ellos e coordenadora da Parada LGBT de Nova Iguaçu, encaminhou 3 pontos para serem discutidos pelos Poderes Executivo e Legislativo: a inclusão da Parada no calendário oficial de eventos da Cidade; implantação da Coordenadoria LGBT; e a criação do Conselho Municipal LGBT:

- Além desses 3 pontos, reivindicamos a criação do Centro de Referência de Combate à Homofobia em Nova Iguaçu, uma luta antiga do nosso movimento. Precisamos dar mais visibilidade às nossas questões para que nossos direitos sejam respeitados.



Participaram, também, do encontro: vereador Alexandre da Padaria; Fabiano Abreu, superintendente estadual de Políticas LGBT; Dayse Marcelos; Leandro Rodrigues, estudante e membro do grupo de Direitos Humanos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Campus Nova Iguaçu); Serginho Beleza, da Executiva do PSB em Nova Iguaçu, entre outros representantes de grupos LGBT.




Eugênio Ibiapino defende a criação do Centro de Referência


Elaine Medeiros, secretária municipal de Assistência Social